Para criar é preciso que sejamos capazes de nos sensibilizar. A criatividade é a capacidade de ser sensível a tudo que nos cerca, a escolher em meio às centenas de possibilidades de pensamento, sentimento, ação e reação, e a reunir tudo isso numa mensagem, expressão ou reação inigualável que transmite ímpeto, paixão e determinação. (Estés, 1994, p. 395).

Por Maria Elisa Moreira

Quando pensamos em criatividade pensamos o quanto é fundamental o papel da pessoa, que representa uma dimensão fundamental para o processo criativo, uma vez que se trata do próprio ser humano com todas as suas potencialidades e por que não afirmar, com todas as suas ambuiguidades.

Quando se observa a dimensão pessoa com mais proximidade, percebe-se que neste item cabe um mundo de possibilidades correlacionadas, principalmente aos aspectos emocionais e afetivos inerentes à condição humana, bem como características e habilidades que lhes são peculiares. Num estudo sobre criatividade Predebon (2006) elencou de forma sintética características predominantes em personalidades criativas.

Independência Quase sempre produto da autoconfiança, ousadia e iniciativa e conjugada a um espírito aventureiro.

Curiosidade Característica inata, frequentemente castrada na educação e quase sempre conjugada ao espírito questionador e especulativo.

Flexibilidade Caracteriza-se pela disposição de rever valores.

Sensibilidade Muitas vezes conjugada à emoção mais liberada.

Leveza Relacionada ao bom humor, ligada também ao otimismo e fator positivo.

Interesse variado Uma derivação da curiosidade, com empenho e disponibilidade para ação em campos diversos.

Estética diferenciada No gosto pessoal, uma tendência a valorizar a ruptura, nunca o tradicional.

Percepção e valorização do intuitivo Ótica menos lógica e maior obediência aos impulsos, do que a média.

Apenas algumas caraterísticas não representam todas as inúmeras outras que possam ser elencadas para compreender os comportamentos das pessoas criativas, até mesmo tornar-se referência para a busca pessoal do estímulo necessário para desenvolver tais habilidades. No entanto, a consciência de algumas características, como as citadas, pode ser norteadora e auxiliar o caminho de reconhecimento destas mesmas habilidades e suas idiossincrasias em pessoas que desejam resgatar a sua própria criatividade.

Csikszentmihalyi (2005, p. 34) declara que: "pessoas impulsionadas pelo desejo de dar o melhor de si, e de contribuir cada vez mais para o benefício do conjunto da sociedade, acreditam no que fazem e são felizes no processo."




De acordo com Torre (2005, p. 13) “...Criatividade é a decisão de fazer algo pessoal e valioso para satisfação própria e benefício dos demais”. Para Feldman et al (2008, p. 240) “...A atitude criativa vem de uma necessidade inerente a todo ser humano de crescer através de seu potencial interno”.


Características da pessoa criativa:

-Alta motivação intrínseca, encontrando metas pessoais e atribuindo significados.

Acredita no subjetivo e intuitivo.

-Permite-se imaginar, sonhar.

-Conhece-se e aceita a si própria. Dessa forma, cria sinergia interna ao aceitar sua diversidade interna.

Tem autonomia intelectual para pensar e ser diferente.

-É capaz de quebrar esquemas, porque se abre a novas experiências e assume os riscos da aventura.

-Respeita a autonomia do objeto e aprende com ele.

-É sensível aos problemas e curiosa.

-É tolerante com a ambiguidade, sendo capaz de jogar com elementos; usa sua espontaneidade e faz do estranho, conhecido.

-Tem preferência pelo complexo.

-Compreende e administra a diversidade no processo exercendo liderança da equipe. Conde (1995, p. 44-52).

Um argumento demonstrativo de que “a pessoa criativa pode ser entendida como aquela que sabe quem é, onde quer ir e o que deseja realizar” e que “as habilidades criativas são aquelas que permitem ao indivíduo associar conceitos até então independentes e a conhecer novas maneiras de pensar”. Assim sendo, a pessoa criativa é sabedora de suas próprias habilidades e o quanto estas podem ser colocadas a serviço da produção criativa para oferecer soluções para as questões do seu contexto.
O ser humano está em constante movimento e evolução, modificando a si mesmo e seu espaço. Para Torre (2005, p. 19) “a criatividade é a característica ou qualidade humana que melhor explica as mudanças do ponto de vista individual ou social”.

Nesta direção também se manifesta Predebon (2003, p. 37) ao argumentar que:

O autoconhecimento é a chave da criatividade à medida que ele incrementa a autoestima, que aumenta a segurança, que por sua vez favorece a capacidade de assumir riscos.
Esta disponibilidade interior para a mudança e a busca por melhorias em seu contexto podem muito bem representar as características motivacionais que são componentes relevantes da criatividade, que podem ser observados nos aspectos psicológicos da produção criativa (Alencar e Fleith, 2003).

A inquietação é fruto da reflexão sobre o viver e o fazer; e quando uma pessoa criativa reflete e sente-se motivada a transformar algo, ela, de certo modo, aciona uma série de recursos internos que a levam para um estado de ação criadora.

Torre (2005, p. 19) lembra que “a reflexão é o trampolim da mudança, e a mudança tanto pessoal como institucional e social, é um objeto de transformação”.

Neste sentido, Sanmartin (2012, p. 13) reforça que: A criatividade se manifesta de forma diferente em cada indivíduo e depende da combinação de habilidade e atitudes. A criatividade emana do centro do que somos e, com o aprofundar das experiências, leva ao engrandecimento interno de cada um.

Que cada um de nós possamos nos descobrir ou nos redescobrir criativos! Desbravando novos possibilidades e descobrindo novas formas de solucionar os problemas da vida.

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Maria Elisa Moreira
Fundadora da Prisma, docente no Insper e Psicóloga. Mestre em criatividade e inovação, desenvolve projetos para lideranças e equipes alta performance.
Maria Elisa MoreiraFundadora da Prisma, docente no Insper, psicóloga e mestre em criatividade e inovação

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