Tenho que demitir. E agora?

Toda pessoa que ocupa ou já ocupou posição de gestão em alguma empresa passou, passa ou passará pela situação de ter que demitir pessoas.

por Claudia Lisboa

Seja por baixo desempenho do profissional ou do mercado, o problema é que o processo de demitir tem impacto não somente em quem será desligado da empresa mas, também, na imagem do gestor e no entusiasmo da equipe que ficou na Empresa. 

Demitir, portanto, precisa ser um ato com estrutura e requer do gestor sensibilidade e comunicação clara para garantir o melhor resultado possível para todos os envolvidos.

Primeiramente, vamos pensar em quem está sendo demitido.  Qual a melhor maneira de comunicar o fato para a pessoa porém não lhe atingir a auto-estima? 

Muitos gestores, por medo de “magoar”, não são claros ao demitir, gerando no funcionário a dúvida permanente “onde foi que eu errei?”. 

Creio que devemos agir dando feedback permanente para os profissionais quanto aos seus desempenhos, de forma a ninguém ser surpreendido com uma demissão por baixos resultados. 

Se o colaborador sabe que seu líder percebe a falta de conhecimentos, habilidades ou atitudes importantes para o desempenho da função, ele tem a consciência de que a demissão é uma possibilidade, então não ficará tão “chocado” caso ela aconteça. 

Ele entenderá que teve oportunidade de melhorar, porque o líder deixou claro para ele que a melhoria era fundamental para o desempenho. 

Em outras situações, a demissão não se dá por baixo desempenho, mas por redução de quadro. 

O mais importante, nessas situações, é o gestor ser muito claro da razão do desligamento, dando todo o feedback para o funcionário a respeito de como foi o seu desempenho no tempo em que esteve na empresa e se disponibilizar para ajudá-lo na recolocação profissional, sugerindo empresas para prospecção e dando boas referências, se for o caso. 

Nessas situações, que são frequentes no Brasil com os altos e baixos do mercado e ainda mais neste momento que estamos vivendo, em 2020, o mais importante é a comunicação com a equipe que fica na Empresa, já que o clima de “eu sou o próximo” costuma acontecer quando não há transparência nas relações e na tomada de decisão. 

É muito importante, nesse contexo, o líder intensificar a comunicação com a equipe, acalmando ânimos no sentido de todos buscarem alternativas para que mais demissões não sejam necessárias, porém deixando claro que qualquer decisão futura de demissão será comunicada de forma transparente e ágil, para não gerar “burburinhos” nos corredores da Empresa.

Demitir por email, por telefone, por whatsapp, costuma ser ágil e prático, mas pode gerar um efeito devastador no clima organizacional pelo impacto direto não somente nos que saem mas nos que ficam e deixam de acreditar no respeito dentro da Empresa. 

Portanto, a não ser que seus colaboradores estejam há milhares de kilometros de você e não haja condição financeira de trazê-lo para uma conversa pessoal, não utilize recursos tecnológicos para demitir pois isto é, no mínimo, desumano. 

Por fim, demitir gera muito impacto na satisfação do gestor, que se sente culpado pela situação, principalmente quando o colaborador depende financeiramente do trabalho para sobreviver e cuidar da família. 

Nesses casos é impossível não haver alguns dias de ansiedade, porém isso não pode ter um impacto forte o suficiente para que a decisão seja adiada em um prazo inadequado para as necessidades da empresa, tanto em ter um profissional com melhor desempenho quanto em reduzir custos. 

Cabe ao gestor pensar que preferia não ter que demitir, porém se isso não é possível tudo bem, não é o fim do mundo para ninguém, afinal, ser demitido não significa que o profissional nunca mais irá se recolocar. Significa que talvez ele precise desta decisão para repensar suas atitudes e colocar mais ênfase em seu desenvolvimento para uma melhor performance.

Conheça nossos Autores

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Lorena Lacerda
Master Coach de Executivos, de Times e Mentora de Gestão há mais de 22 anos, com mais de 2.600 horas de atendimento, Coach adjunta do CCL (EUA). PCC - Professional Coach Certified pela ICF – Federação Internacional de Coaches, desde 2009. Já atuou como Instrutora da Formação Internacional de Coaching do ICI - Integrated Coaching Institute®️. Foi membro da Diretoria da ICF Brasil por 6 anos e como Vice-Presidente por 3 anos.
Lorena LacerdaCEO do Grupo Valure, Coach e Mentora de Executivos, Sócia-Fundadora e Diretora de Conteúdo da StepU

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